:. Tomada 10 - Cena 1 .: A Grande Familia - o Filme

 

 

.: Ficha Técnica
Título Original: A Grande Família - O Filme
Gênero: Comédia
Ano de Lançamento (Brasil): 2007

.: Sinopse
Após passar mal e ir ao médico, Lineu está convicto de que morrerá em breve. Ele esconde a situação da família e desiste de ir a um tradicional baile, o que faz com que Nenê convide um ex-namorado para lhe causar ciúmes.

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Você aluga o filme, coloca no aparelho de dvd, pega a pipoca (ou o acepipe que preferir) e acomoda-se no "seu" lugar do sofá e aperta o play. Em menos de 10 minutos, você vai ter certeza que é quinta-feira a noite, logo depois da novela das 8h. O filme não tem pretensão de fugir do seriado, pelo contrário, segue a história que se desenrola nos episódios semanais e concentra alguns fatos importantes da família para o seriado da tv. Uns esperam situações inusitadas dos personagens e decepcionam-se e outros querem apenas mais do mesmo. Ponto para os outros. E ai você decide se, para você, isso é bom ou é ruim.

:. Tomada 9 - Cenas 1 e 2 .: Se Eu Fosse Você 1 e 2

 

Sim, post duplo! Afinal falar d'um é falar d'outro e vide o verso e vice versa e coisa e tal. O tema que impulsiona a história é o mesmo para os dois filmes: em uma briga entre o casal, eles tem o mesmo diálogo simultâneamente, quando disparam um "se eu fosse você" ao mesmo tempo um sei-lá-o-que acontece e pimba, eles "trocam de corpo". O enredo é fraco, a dinâmica dos acontecimentos não são lá essas coisas e a produção tem muitos "ques" de novela global das 8h, com que diabos então um filme assim consegue uma sequência no cinema? você se pergunta ai defronte a este blog. Respondo: a idéia é muito boa, a possibilidades de casos, desventuras e peripércias que podem ser geradas quando a mulher está no corpo do marido e vai para o futebol, vai num banheiro masculino, numa roda de chopp, fazer a barba, etc e na contra mão disso o homem, vislumbra um vestiário feminino, menstrua, fica grávido, entre outras tantas situações ridículas que possamos imaginar. Além é claro da sintonia fina entre a genial atuação do Tony Ramos "feminino" e a boa atuação da Glória Pires "masculina".
Não é um filme excelente, imperdível, tão pouco vai pretende o Oscar, é para comprar pipoca grande e dar umas risadas, mas certamente teria melhores olhos a ele se fosse enlatado americano, como torceriam o nariz se "Quem Vai Ficar com Mary" fosse "tupiniquim", em mais uma bizarra troca de "corpos".

:. Tomada 8 - Cena 1 .: Os Desafinados


.: Ficha Técnica
Título Original: Os Desafinados
Gênero: Comédia
Ano de Lançamento (Brasil): 2008

.: Sinopse
Década de 60. Joaquim (Rodrigo Santoro), Dico (Selton Mello), Davi (Ângelo Paes Leme) e PC (André Moraes) são jovens músicos e compositores, que partiram para Nova York em busca de sucesso. Lá eles formam um grupo, chamado Os Desafinados, e integram o movimento que lançou a bossa nova. Ao longo dos anos eles acompanham o cenário político e musical do Brasil.

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Um filme sobre o nada. O encontro de atores, diretor e estúdio que ajudaram nesse posto mais nobre do cinema brasileiro atual entusiasmaram crítica, público e mídia a lotar salas na estréia e colocar o filme no top five nacional. E, talvez, justamente por isso tenha decepcionado mais, pô você coloca atores bons dirigidos por um diretor bacana, uma música tema fantástica inclusive dando nome ao filme no cinquentenário da Bossa Nova fervilhando em exposições, cadernos de cultura e rodinhas de bares, e numa semana em que nenhum hollywoodiano chega com força por aqui. Tudo, harmonicamente, no tom certo, tão certo que você pára tudo, compra o ingresso, pipoca, coca-cola grande, senta sorrindo na sala e ansiosamente aguarda o dito cujo. Primeira cena: personagem recebe notícia que uma amiga faleceu, liga para os amigos para avisar e marca um encontro para relembrar os "velhos tempos", só então percebo o porquê do nome do filme. Dai para frente é angustiante, o surgimento do grupo, o romance do protagonista e seu sumiço no comunismo - os três fatos principais do filme - começam e terminam no nada. Bem como algumas falas, como muitas cenas, como alguns personagens, simplesmente não tem o porquê de surgir, senão o de existir na trama. Do que pode se chamar de trama nos 131 minutos de filme é tudo compassadamente previsível em milhares de xavões cinematográficos e contextuais, da Bossa Nova mesmo o nome de João Gilberto exaltado numa cena fria e a trilha sonora. Inclusive, justiça seja feita, trilha sonora, a fotografia e a Cláudia Abreu em caras e bocas são pontos fortes mas que definitivamente não salvam o filme de uma desafinação total. Quando o letreiro começa a subir não se sabe qual expressão estão nos rostos no cinema, incredulidade no que se viu, felicidade por ter acabado, indignação, insatisfação, bocejo, isso dos que ficaram porque, um a um, ao todo sete sairam antes, não aguentaram.
:. MakingOf .: Laços
Não é exatamente um filme brasileiro que eu coloco aqui hoje, é um Curta.

Esse curta foi o primeiro lugar no Festival Internacional de Curtas do Youtube, em 2007. É de uma aluna da PUC, chamada Clarice. Doce, poético, sensível, belo, atípico, sereno. Se estou falando do Curta ou de Clarice? Ambos.


:. Tomada 7 - Cena 1 .: Sexo com Amor


.: Ficha Técnica
Título Original: Sexo Com Amor?
Gênero: Comédia
Ano de Lançamento (Brasil): 2008

.: Sinopse
Três casais, de classes e estilo de vida diferentes, enfrentam problemas amorosos em seus casamentos. Com José Wilker, Malu Mader, Reynaldo Gianechinni, Carolina Dieckmann, Eri Johnson e Danielle Winits.

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Demorei um tanto para escrever sobre esse filme - já vai mais de mês que o vi - porque tinha decidido não escrever sobre ele, simplesmente fingir que ele nunca passou pela minha vista. Enfim, como, além de apaixonado pelo cinema brasileiro, sou amigo dos leitores do blog, decidi escrever.
O filme conta a história de três casais de classes sociais diferentes que passam por crise no casamento. Prontinho todo filme está contado. O resto é novela da Rede Globo. Isso mesmo Uma hora e tanto de novela das seis: trilha, fotografia, planos, enredo, diálogos, atores, persongens, enfim tudo digno de uma novela das seis e olhe lá. Do nada começa e termina, acreditem em mim, onde começa, até a abertura brincando com as letras e o ponto de interrogação parecem abertura de novela. Péssimo. De longe o pior filme que eu já assisti. E se não fosse a Nanda Costa em caras, bocas e pouca roupa, pediria meu dinheiro de volta. Juro.
O cara que é a Elite

O post não é sobre o filme da Elite que você está pensando. Muito já se falou sobre ele e eu não tenho nada de interessante a tratar. É um filme muito bom, perde para Cidade de Deus no aspecto técnico e ganha no apelo popular, já que inúmeras frases do Capitão Nascimento caíram no vocabulário popular. De resto os dois empatam. Pronto, isso é tudo o que tenho a dizer de Tropa de Elite (Ação, 2007).

Quero é falar sobre o cara que transformou o filme: Wagner Moura. Confesso que eu não achava a melhor indicação para viver um policial violento como do BOPE. Mas não só viveu, como deu ao personagem uma dimensão inimaginável até para os produtores, que resolveram basear o filme na atuação dele, ao invés de focar am Matias, como era a idéia inicial. Wagner Moura interpretou o Capitão Nascimento de uma forma tão maravilhosa que não tinha como não torná-lo principal.

Você assiste Tropa de Elite numa terça-feira e sai babando com a atuação do cara. E eis que na quinta-feira, você acha uma sessão escondida de Saneamento Básico – O Filme (Comédia, 2007) no Cine Unibanco. Preço do ingresso mais barato, vamos ver. Comédia de Jorge Furtado, o mesmo diretor de “O Homem que Copiava”. O roteiro é legal, várias piadas até interessantes, mas que funcionam ainda melhor justamente por causa do elenco de pesos pesados, que carregam o filme nas costas: Fernanda Torres, Camila Pitanga, Bruno Garcia, Lázaro Ramos e... Wagner Moura! Numa comédia! Um papel diametralmente oposto. Um personagem que, tal qual o Capitão Nascimento, se expressa muito pelos gestos, pelas expressões, pelo corpo, pelo olhar... Meu Deus do céu, não há personagem que esse cara não consiga fazer e ficar ducaralho? Esse Wagner Moura está na Elite. Estou pensando se ficaria muito feio ter um pôster dele no meu quarto...

 

      

:. Tomada 6 - Cena 1 .: Meu Nome Não é Johnny


.: Ficha Técnica
Título Original: Meu Nome Não é Johnny
Gênero: Drama
Ano de Lançamento (Brasil): 2008

.: Sinopse
A história de João Guilherme Estrella, carismático carioca de classe média que se tornou o maior vendedor de drogas do Rio de Janeiro e depois lidou com o sistema carcerário do país.

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Não haveria nome mais propício para um filme nacional no início de 2008. Explico-me: "Meu Nome Não é Johnny" é, até agora, a maior bilheteria dos cinemas brasileiros, superando grandes produções hollywoodianas como "Eu Sou a Lenda", "BeeMovie" ou "A Bússola de Ouro", atingindo mais de um milhão de espectadores em menos 1 mês de exibição. Como entusiasta do cinema brasileiro, tenho só a comemorar o sucesso do nosso cinema e de uma, ainda lenta, valorização da cultura nacional, seja no cinema, seja na utilização do nossa poética língua portuguesa.

Meu Nome Não é Johnny, é João Estrella! Clama o protagonista em determinado momento do filme, não precisaria dizer. O fato de estar contando a sua vida, em seus detalhes mais sórdidos, em uma tela de cinema entrega sua origem. Não por falta de personagens, cenários ou histórias que gotejam pelo país há uns 500 anos, mas porque é o que vende: sertão nordestino (seja comédia, seja drama), biografia com cara de novela global e problemas sociais para americano ver. Exemplos? Central do Brasil, Auto da Compadecida, Cidade de Deus, Olga, Tropa de Elite e agora Meu Nome Não é Johnny, só para citar alguns e entre estes algumas das maiores bilheterias do cinema nacional. São bons os filmes? Sim, com certeza! Mas sinto falta de filmes como O Homem Que Copiava, Durval Discos, O Primeiro Dia, O Cheiro do Ralo, filmes sobre o cotidiano, sobre o ser humano, sem apelação à massa.

Meu Nome Não é Johnny. Ainda bem, com a fotografia, trilha sonora e enquadramentos de tirar o fôlego - ora na beleza, ora na sequência - dá vontade mesmo de bater no peito e dizer: João Estrela! Se não é novo o enredo, nem novidade a história toda para nós, é o sarcasmo, a acidez e a displicência com que a vida do personagem se desenrola na telona, sem contar ainda com um humor fantástico. Não polpam-se verdades nos estereótipos inseridos ao contexto do filme, não polpa-se esforços para ser autêntico no que se pode e o mais importante: não parece (sequer lembra) uma novela da Globo, o que, em muitos filmes, se faz presente em enquadramento, poses, caras e bocas.

Meu Nome Não é Johnny é mais um ótimo filme brasileiro, que coloca o pé direito do cinema nacional na frente em 2008.

:. Tomada 5 - Cena 1 .: Não Por Acaso





.: Ficha Técnica
Título Original: Não Por Acaso
Gênero: Drama
Ano de Lançamento (Brasil): 2007

.: Sinopse
Dois homens não se conhecem mas têm em comum a forma como levam a vida: baseada em precisão, controle e método. Um imprevisível acidente envolvendo duas mulheres mudará o curso de suas vidas para sempre. O engenheiro de trânsito, que controla o fluxo de automóveis da cidade de São Paulo, será obrigado a conhecer e conviver com a filha adolescente após a perda de sua ex-mulher. Enquanto o jogador de sinuca, abandonará o luto de sua namorada e também sua insegurança profissional ao se envolver com uma inesperada mulher. Nessa trama em que muitos destinos se cruzam os dois terão que aprender a lidar com a falta de regras da vida.

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Não por acaso que fui assistir o filme, gosto de cinema nacional, gosto de salas vazias em horários alternativos e gosto de boa companhia. Pois bem, numa tarde de sábado tudo me levou a sentar na confortável poltrona do HSBC Belas Artes.

O filme se divide em duas histórias distintas que em sua vertical, nnao tem relação direta, os personagens principais não se conhecem, sequer se encontram. Curiosamente o filme parece se dividir em duas partes tão distintas quanto seus personagens: fantástico e embraçoso - intrigante e óbvio e - não por acaso - início e fim. O filme se perde por completo no fim da primeira hora de exibição, perde o roteiro que se torna óbvio e cansativo, perde os personagens que se contradizem e se apagam, perde os planos continuos, as sequências que no inicio se sucediam entusiasticamente.

A cada vez que vejo um filme brasileiro tenho uma nova surpresa: um enquadramento diferente, uma sequência, um dialogo, alguma coisa realmente nova. Não por acaso, a história encontra espaço de sobra para abusar de planos gerais (aéreos ou não) da cidade, um cuidado intimista e revelador sobre o trânsito de São Paulo e as jogadas sobre a mesa de bilhar com a bola branca se sobrepondo ao cálculo mental de Pedro (Rodrigo Santoro), que faz da película uma agradável novidade técnica. Mas o que realmente me prendeu a respiração foi a sequência "Dois Minutos Faz a Diferença" quando Tereza (Branca Messina) sai da casa do namorado Pedro (Rodrigo Santoro), é uma cena simples logo depois de um momento de catárse e que não por acaso estava colocada nesse ponto da história,

Já nasceu comercialmente com cara de sucesso de público, não por acaso. A presença de Rodrigo Santoro (e sim ele é brilhante) pós 300 (de Esparta), parecia assinalar um filme com toda a qualidade e eficiência comercial hollywoodiana, muito da espectativa sobre o filme gira sobre a sua presença no elenco contracenando com atores globais como Leticia Sabatella e Leonardo Medeiros.

O filme tem planos, caras e bocas e mais cenas inteiras de telenovela, mesmo algumas das cenas externas tem um qué de novela das oito. Não por a caso o produtor associado é Daniel Filho e o estudio Globo Filmes.
Prazer, meu nome é...

A primeira coisa com a qual você se depara num filme é o nome. Antes de saber do elenco. Antes de ver quem é o diretor. Antes de ler sinopse ou olhar o pôster, você dá de cara com o nome. E o cinema brasileiro me chama atenção pelo fato de, muitas vezes, brindar-nos com alguns nomezinhos deveras ruins.

Pausa: infelizmente, isso não é exclusivo do cinema nacional. Milhares (eu disse milhares!) de filmes estrangeiros, quando são trazidos para o país e ganham o nome em português, sofrem de traduções capengas ou completamente sem sentido. Vá entender. Despausa, vamos em frente.

Não digo que os nomes que classifico como “ruins” não façam sentido ao conjunto da história, não tenham a sua razão de ser. O problema é que comercialmente falando, alguns títulos não tem nada a ver, não criam empatia, não despertam a curiosidade. Exemplos? Só para ficar nos filmes atualmente em cartaz, há esses dois: “Ó Paí, Ó” e “Sambando nas Brasas, Morô?” Dois nomes que, muito além de não dizerem nadam, ainda me remetem à idéia de serem mal feitos, precários, aquele tipo de filme brasileiro com o qual eu não perderia tempo se os visse na locadora. (pôsteres abaixo)

Para mim, o teste definitivo, o selo de qualidade de um nome bom é o teste da caixinha de dvd. Você está passando os olhos pelas prateleiras da locadora, sem saber exatamente o que levar. O nome ruim, por melhor que seja o filme, não te chama a atenção e você passa lotado. O nome bom, ao contrário, te estimula a pegar a caixinha e virar para ler o verso e saber do que se trata. E, pegar a caixinha e ler o verso já é metade da locação. Pode ser que a fita seja uma droga, mas aí o estrago já está feito, você já levou para casa. E por causa do nome. Algo como “Quase Dois Irmãos” ou “

- Ô amor, que filminho sem vergonha você alugou hein? Odiei a história. Quem te indicou?

- Ninguém. Vi na locadora e pelo nome parecia tão bom...

Outros, ao contrário, são muito bons, porém têm nomes que depõem contra, que podem dar uma idéia errada de que trata-se de um filme malfeito. “Como quais, por exemplo?” – pergunta você. Na lata, vos digo: “O Cheiro do Ralo” e “Cinema, Aspirinas e Urubus”. Dois filmes excelentes, com títulos depreciativos. Pergunto eu aos meus botões, que nunca respondem e nem discordam: “Custava ter um nome comercial melhor, de mais impacto?”.

Antes que alguém me intyerpele e indague o que seria um “nome comercial melhor”, cito uma  pesquisa do Instituto Gorniak de Neurolinguística, que concluiu que, antes de mais nada, o nome deve ser pequeno, fácil de guardar. Pequeno, que eu digo, é ter no máximo três ou quatro palavras, incluindo aí artigos, preposições, conjunções e tudo o mais: Redentor, Dom, Olga, O Pagador de Promessas, Cidade de Deus, O Quatrilho, Central do Brasil, e tantos outros. (Lista meramente exemplificativa. Reitero que um nome bom não significa que o filme o seja.)

E, antes que atirem a primeira pedra (ou a segunda), reitero que sim, não faltam exceções à regra. Ou alguém aqui é louco de falar que “O Ano Em Que Meus Pais Saíram de Férias”, mesmo tendo dois quilômetros de letras, é ruim?

 

     

Um filme que não é só bunda

Ao sair do cinema, depois de ver O Cheiro do Ralo (comédia, 2007), fiquei com várias sensações. A primeira delas foi de que muito dinheiro é desperdiçado com grandes produções meia-boca (como Olga). Em “O Cheiro do Ralo” cada centavo foi contado, pois apesar do orçamento inicial ser de R$ 2,5 milhões, o filme foi rodado com “apenas” R$ 315 mil, captados entre sócios privados e amigos do diretor. Até Selton Melo trabalhou de graça. E mesmo com um orçamento exíguo, esse é um filme em que tudo é bom. O roteiro, os diálogos, as locações, os cenários... tudo muito bem executado. A segunda sensação foi a inveja. Esse é mais um daqueles filmes da série “Ai que inveja por não ter escrito algo parecido!” (como aconteceu também com o gringo “Mais Estranho que a Ficção”).

O roteiro tem doses exatas de comédia, sarcasmo e, principalmente, non sense. O Lourenço de Selton Melo é uma das figuras complexas do cinema brasileiro dos últimos tempos.

E isso, me leva à terceira sensação: eu, mais do que nunca, quero fazer psicologia. Sempre quis fazer psicologia porque a) na classe só tem mulher e b) finalmente vou entender esse mundo de gente estranha. Eu fico imaginando que “O Cheiro do Ralo” deve ser um filme muito mais saboroso de se ver se você for um psicólogo e passar o tempo inteiro tentando entender o Lourenço.

Filme obrigatório para quem gosta de uma boa história, ou pra quem quer aprender a fazer um bom filme gastando pouco.

Antes de terminar, um viva para a atuação fantástica de Selton Melo e outro viva para a abertura, uma das melhores que eu já vi (afinal, quem é que não gosta de uma bela bunda?).

 

:. Tomada 4 - Cena 1 .: Um auto-retrato cinemátografico
.: Ficha Técnica
Título Original: a definir.
Gênero: a definir
Ano de Lançamento (Brasil): 1980

.: Sinopse
Não é filme, mas poderia ser, não é real, mas poderia ser, é pessoal e intransferível.
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Dia desses fui ao cinema. Sozinho. Não por opção, mas por imposição minha. Precisava ficar sozinho ou, ao menos, estar sozinho. Contrariando o top ten dos lugares românticos a se levar a namorada, sempre achei o cinema um local de solidão, se confina entre os dois braços largos do assento e assiste calado ao filme da sessão, raciocina, ri ou chora ou dorme, sente, mas sem uma palavra, não há interação, mesmo no altruismo do saco de pipocas se compartilha em silêncio.

Cheia de contrapontos. Feita para ser grande, com tela vasta e as muitas cadeiras, a sala mostra-se pequena. A música ambiente substituindo a imagem comprada, entre o silêncio mundano e as luzes laterais a meio-tom, no que também não é luz nem breu. Cheio de contrapontos o local público era aconchegante.

Acomodei-me excessivamente confortável na poltrona que escolhi pacientemente e com satisfação segui a recomendação dos bons costumes e desliguei o celular. Demorei um tanto para acostumar com esse nível de tranquilidade e quietude. Minutos depois de pensamentos vagos: conta a pagar, emprego, amigos-familia-namorada, pensamentos que iam e vinham enquanto os olhos percorriam o teto, o piso, as paredes e as demais poltronas do lugar, que eu deparei com uma tela branca a minha frente, projetando o nada, apenas me observando, me assistindo ali sentado.

Dessa imagem surgiu no vazio a idéia do desepero que se dá quando encara-se o papel em branco, a tela de pintura e mesmo da tela de cinema (metafóriacamente falando) brancas. De como se parte de um nada para uma artte pura e pública. Do branco para todas as cores e formas que seu pensamento, informação, sentimento e tudo o mais pode mostrar. Com a retina imóvel, focando o imenso pano branco, já não me iluminavam as luzes do cinema e começara assim, sem mais nem menos, sem recomendações ou trailers um filme que eu já havia visto, mas nunca havia parado para prestar muita atenção.

Ali na tela, passaram lembranças infantis, juvenis: aquele natal com o presente que queria, o ano novo na praia, a primeira bicicleta e o primeiro tombo, o irmão que chegava, o tio que se despedia, aquela menina bonita demais para namorar, tudo filmado em super8, com trilha sonora uma bossa nova saudosa e animada. Mais colorida, mais viva na tela a juventude passava em flashes mais demorados: beijo, paixão, emprego, salário, faculdade, tudo em primeira mão, tudo em sua primeira vez, aquela sensação incomoda de não ser mais criança, mas não saber ser adulto, o frio na barriga que dava toda vez que precisava mostrar que era expertise em alguma coisa que nunca tinha vistou ou feito, além de mais recursos cinemátográficos e cenas de continuação, era mais de uma música, tocava Pink Floyd e Chico Buarque. O ritmo dos dias diminuiam e ficavam menos esparsos os periodos entre uma cena e outra: acabava a faculdade, crescera a barba, virara professor, relação estável, primeiro carro, minha profissão, minha personalidade, coisas que se definiam sem que eu percebesse, o rolo era digital e a música um blues de fim de noite em New Orleans. Essas coisas pequenas, que juntas tramam a minha própria história, coisas assim, desfizeram o nó na minha garganta e trouxe o aroma desses momentos, suas trilhas sonoras e suas sensações.

Tudo acabou como começou: luz acesa, tela branca. Não havia créditos – nem o que ser creditado. Ainda incrédulo na pelicula que acabara de ver pisquei mais de uma vez, esfreguei os olhos e sorri. Na minha critica cinematografica achei a historia bonita, verdade que o enredo estava ainda um pouco fraco, faltou alguma ação e era carregado demais em emoção, quase piegas mesmo e no fim das contas o enredo terminou como uma tragicomédia romântica, antes assim que um filme de terror.

Tirei os olhos molhados da tela branca e olhei para os lados e uma vez para trás, havia um casal de namorados no canto superior aproveitando o aconchego da ocasião, á esquerda um outro casal já nem tão apaixonados nem tão apaixonantes compartilhavam a mesma pipoca com conversas do cotidiano.

Mais uma vez as luzes apagaram, desta vez vieram as recomendações, os trailers e um filme novo, era comédia.
Grata surpresa de sábado a noite

Sábado modorrento, você se pega esparramado no sofá, zapeando. Nada de interessante em canal nenhum. Mesmo assim você continua, indo e voltando nos canais, até que chega na Cultura e está começando um filme chamado Durval Discos, de Anna Muylaer (Drama, 2002). “Bom, é um filme brasileiro, se tá passando na Cultura deve ser interessante e você não tem nada a perder mesmo... vamos ver.” Depois de uma hora e meio de filme me agradeço por ter decidido vê-lo. Taí um daqueles filmes que você não espera nada e te surpreende bastante, é muito legal.

Começa que o fato de ser ambientado em uma loja de discos só ajuda: qualquer filme que tenha uma desculpa para tocar música legal o tempo todo ganha muitos pontos (como Alta Fidelidade, com o John Cussak, por exemplo).

Segundo, os dois personagens principais, a velha senhora meio longe da realidade e o filho hippie quase quarentão ainda solteiro são ótimos. Principalmente do meio para o fim do filme, quando a velha vai ficando cada vez mais fora da realidade e o filho, cada vez mais desesperado com as situações que se sucedem. A dupla está impagável.

Terceiro, uma história que parece previsível, um drama de garotinha-que-aparece-do-nada-e-muda-a-vida-da-velha-senhora-meio-longe-da-realidade-e-do-seu-filho-hippie-quase-quarentão-solteiro, mas que de repente dá uma guinada e transforma em algo como comédia dramática, onde situações absurdas vão acontecendo e as coisas saem completamente fora do controle.

E em quarto, quinto, sexto e sétimo, uma abertura bem legal, principalmente para quem já desceu à pé a Teodoro Sampaio e viu aquele monte de lojas de discos de vinil; a participação de músicos como Rita Lee e André Abujamra fazendo pequenas pontas, dão um charme maior ao filme; a Letícia Sabatella, com seu charme que beira o exagero dá o ar da graça e, finalmente, a pergunta que não quer calar:

“- Mãe, o que a senhora está fazendo com esse cavalo aqui dentro de casa?”

Muito bom filme, vale a pena.

 

Por que tanto tempo sem postar?

No enorme tempo de existência deste blog, acabamos de presenciar um fato inédito. Ficamos mais de um mês sem postar nada. Nadinha, nyet, zero textos.  Do Eduardo, o co-realizador e detentor de 50% dos direitos federativos do blog, eu não posso dizer nada. Ele desde sempre não escreve lhufas. Fiquei triste é comigo mesmo, que deixei de lado as minhas obrigações para com este requisitado, visitado e comentado blog.

Mas aqui estou eu escrevendo um post explicativo-desculpativo para as únicas duas pessoas que lêem isso (se é que existem duas).

Ocorre que normalmente no fim do ano a correria aumenta, fechamento de trabalhos, presentes para toda a família, e o tempo para filmes fica escasso. "Mas e as féias?" - perguntará você. Sinceramente, férias de janeiro é época de praia. Chovendo ou não, todos ao quiosque, só tomando cuidado para não cair água na cerveja.. Com isso, poucos filmes são assistidos. E no fim de 2006 houve uma safra espetacularmente grande de filmes espetacularmente bons. Infelizmente, todos estrangeiros. Nomeio-os: O Grande Truque, Os Infiltrados, O Ilusionista, O Labirinto do Fauno, Cassino Royale, Por Água Abaixo e Happy Feet (considero Cheiro do Ralo como ainda não em circuito comercial, então não comento). Tanto filme bom assim, é covardia, maldade até, deixar de vê-los para ir assistir Zuzu Angel, Céu de Suely (infelizmente, porque deve ser muito bom), ou coisas piores, tais como Didis e Xuxas da vida.

Desta feita, no momento só disponho de filmes estrangeiros para comentar, nenhuma película brazuca. Poderia abrir uma exceção, mas não é o objetivo deste blog. Prometo me redimir em breve.

Comédia dramática?

Existem trailers que deixam você de boca aberta, pensando “Caracas! Eu preciso ver esse filme!” (sublinhado assim mesmo). Um exemplo internacional é “Magnólia”. Um exemplo brasileiro é Redentor, de Cláudio Torres (Drama, 2004). Quando vi o trailer no cinema, eu babei. E tão logo entrou em cartaz, fui ver. Mas antes de ver o filme, peguei uma resenha não lembro onde, que o classificava como “comédia dramática”. E aí eu me perguntei que raios era uma comédia dramática. O filme é um drama, com pitadas de humor. Em homenagem a esta definição de comédia dramática, faço duas análises, que ninguém me pediu, mas que eu faço assim mesmo: uma estilo comédia e outra estilo drama.

 

Redentor é, além de tudo, uma comédia.

Antes de ver, achei que fosse aquele filme que era bom, mas que eu não iria gostar do final. Não me perguntem porque, não sei explicar, só sei que foi assim. “No mínimo o filme tem a Camila Pitanga e nenhum filme com a Camila Pitanga é um desperdício de tempo”, pensei eu e fui assistir (no cinema, sexta-feira chuvosa, sessão da meia noite).

Ainda bem que me enganei. O filme é muito bom, tem uns toques surreais e uns efeitos especiais no mínimo engraçados, como a explosão atômica em Brasília, o Cristo aparecendo pro Pedro Cardoso (num efeito da estátua do Cristo Redentor, recortada e fundida com o cenário), o Pedro Cardoso tomando um raio na cabeça e outras coisinhas mais. O fio condutor é a grana que corrompe a todos: ricos, pobres, brancos, negros, homens e mulheres. Mesmo até a mais insuspeita pessoa, de moral ilibada, fica tentada com a grana. Mas quem foi que prestou atenção nesses detalhes tendo a Camila Pitanga aparecido primeiro com um biquíni, depois como prostituta?

Realmente muito bom o filme e ótimas atuações, principalmente do Pedro Cardoso, que eu não gostava muito, mas me surpreendeu. E tem a Camila Pitanga, já falei dela?

 

Redentor é um ótimo drama.

Entretanto, é um filme que me deixa profundamente decepcionado com o povo brasileiro, com as pessoas no geral. Nele, todo mundo quer levar vantagem. É a materialização da Lei de Gérson. Se eu posso levar vantagem em tudo, que assim seja. Não me importo que outros tantos se fodam. É o empresário que rouba os trabalhadores, os trabalhadores que invadem apartamentos de outrem, o banqueiro que faz negócios escusos, o ministro que ajuda ou atrapalha conforme lhe convém, o importante é tirar o meu. E todos, absolutamente todos, se dobram ante a ganância, se corrompem frente ao dinheiro. O pior é que isso não é ficção e deve acontecer aos montes, diariamente, lá na capital federal. Imagem que só é reforçada pela enxurrada de escândalos políticos atuais. A impressão é que o “partido do povo” tomou o poder e pensou “agora é a minha vez”. E todo mundo está lá tentando tirar seu pedaço, “se dar bem”. Isso, sim, me deixa extremamente decepcionado e pessimista quanto ao “povo alegre e batalhador”que somos.

Mas o filme é muito bom e vale a visita. Curioso mesmo é o roteiro ter sido assinado pela Fernanda Torres.

 

Golpe baixo, mas grande filme

Na 30ª  Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, o único filme brasileiro que consegui ver foi O Ano Em Que Meus Pais Saíram de Férias, de Cao Hamburger (Drama, 2006).

A repercussão do filme foi algo de assustadora. Todo mundo comentava, indicava, dizia que era um filme sensacional, “você precisa ir ver”, coisa e tal. Mesmo quem não era muito interessado por cinema havia se rendido aos encantos do longa. É um ótimo filme, sem dúvida. Inegavelmente merece todos os elogios que tem recebido: uma história sensível, muito bem produzida e filmada, com grandes atores. Menção honrosa a Michel Joelsas, que interpreta o personagem principal, Mauro, e a Daniela Piepszyk, que faz a Hanna, minha personagem preferida na fita.

Terminada a rasgação de seda, sejamos honestos. O filme é muito bom, mas convenhamos: o diretor (e produtor e roteirista) Cao Hamburger, jogou sujo. Ele usou de artifícios que simplesmente não valem para poder chamar a atenção de todos para seu filme. Certos assuntos têm o poder de seduzir as massas, pois se ancoram no inconsciente coletivo. O primeiro deles é a infância, recordações dos tempos idos. Quando se fala em infância, todo mundo lembra com saudade do que viveu, das amizades, dos amores platônicos, das aventuras. Mesmo aquele que, como eu, não viveu a época retratada no filme, teve também uma infância. E isso, por si só, já o faz identificar-se com a narrativa e suspirar “ai, ai, como eram bons aqueles tempos...”

E a mente maligna de Cao Hamburger, buscando arrastar mais e mais gente para o cinema, se valeu de outro assunto irresistivelmente arrebatador: a conquista do tricampeonato pela mágica seleção de futebol de 1970. Não há outra época em que o futebol foi mais bonito e a torcida brasileira, mais encantada. Eu, que nasci em 78, fico chateado de não ter presenciado aqueles jogos.

A ditadura e a repressão foram só mais uma nuance, uma outra lembrança incrivelmente forte para quem viveu, mas não tão significativa para quem não esteve lá, como são a infância e o futebol. Resumindo tudo, enfim: explorar o tema da infância, durante a Copa de 70 é um golpe baixíssimo para seduzir as platéias. Não, isso não é uma reclamação. Eu me pergunto: como não pensei nisso antes? Palmas para Cao Hamburger, que não só pensou, como executou a idéia de forma primorosa, com grande apuro técnico. Um filme que vale a pena assistir.

 

 

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