Comédia dramática?

Existem trailers que deixam você de boca aberta, pensando “Caracas! Eu preciso ver esse filme!” (sublinhado assim mesmo). Um exemplo internacional é “Magnólia”. Um exemplo brasileiro é Redentor, de Cláudio Torres (Drama, 2004). Quando vi o trailer no cinema, eu babei. E tão logo entrou em cartaz, fui ver. Mas antes de ver o filme, peguei uma resenha não lembro onde, que o classificava como “comédia dramática”. E aí eu me perguntei que raios era uma comédia dramática. O filme é um drama, com pitadas de humor. Em homenagem a esta definição de comédia dramática, faço duas análises, que ninguém me pediu, mas que eu faço assim mesmo: uma estilo comédia e outra estilo drama.

 

Redentor é, além de tudo, uma comédia.

Antes de ver, achei que fosse aquele filme que era bom, mas que eu não iria gostar do final. Não me perguntem porque, não sei explicar, só sei que foi assim. “No mínimo o filme tem a Camila Pitanga e nenhum filme com a Camila Pitanga é um desperdício de tempo”, pensei eu e fui assistir (no cinema, sexta-feira chuvosa, sessão da meia noite).

Ainda bem que me enganei. O filme é muito bom, tem uns toques surreais e uns efeitos especiais no mínimo engraçados, como a explosão atômica em Brasília, o Cristo aparecendo pro Pedro Cardoso (num efeito da estátua do Cristo Redentor, recortada e fundida com o cenário), o Pedro Cardoso tomando um raio na cabeça e outras coisinhas mais. O fio condutor é a grana que corrompe a todos: ricos, pobres, brancos, negros, homens e mulheres. Mesmo até a mais insuspeita pessoa, de moral ilibada, fica tentada com a grana. Mas quem foi que prestou atenção nesses detalhes tendo a Camila Pitanga aparecido primeiro com um biquíni, depois como prostituta?

Realmente muito bom o filme e ótimas atuações, principalmente do Pedro Cardoso, que eu não gostava muito, mas me surpreendeu. E tem a Camila Pitanga, já falei dela?

 

Redentor é um ótimo drama.

Entretanto, é um filme que me deixa profundamente decepcionado com o povo brasileiro, com as pessoas no geral. Nele, todo mundo quer levar vantagem. É a materialização da Lei de Gérson. Se eu posso levar vantagem em tudo, que assim seja. Não me importo que outros tantos se fodam. É o empresário que rouba os trabalhadores, os trabalhadores que invadem apartamentos de outrem, o banqueiro que faz negócios escusos, o ministro que ajuda ou atrapalha conforme lhe convém, o importante é tirar o meu. E todos, absolutamente todos, se dobram ante a ganância, se corrompem frente ao dinheiro. O pior é que isso não é ficção e deve acontecer aos montes, diariamente, lá na capital federal. Imagem que só é reforçada pela enxurrada de escândalos políticos atuais. A impressão é que o “partido do povo” tomou o poder e pensou “agora é a minha vez”. E todo mundo está lá tentando tirar seu pedaço, “se dar bem”. Isso, sim, me deixa extremamente decepcionado e pessimista quanto ao “povo alegre e batalhador”que somos.

Mas o filme é muito bom e vale a visita. Curioso mesmo é o roteiro ter sido assinado pela Fernanda Torres.

 

[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]
Meu Perfil
BRASIL, Sudeste, Homem, Cinema e vídeo