Começa que o fato de ser ambientado em uma loja de discos só ajuda: qualquer filme que tenha uma desculpa para tocar música legal o tempo todo ganha muitos pontos (como Alta Fidelidade, com o John Cussak, por exemplo).
Segundo, os dois personagens principais, a velha senhora meio longe da realidade e o filho hippie quase quarentão ainda solteiro são ótimos. Principalmente do meio para o fim do filme, quando a velha vai ficando cada vez mais fora da realidade e o filho, cada vez mais desesperado com as situações que se sucedem. A dupla está impagável.
Terceiro, uma história que parece previsível, um drama de garotinha-que-aparece-do-nada-e-muda-a-vida-da-velha-senhora-meio-longe-da-realidade-e-do-seu-filho-hippie-quase-quarentão-solteiro, mas que de repente dá uma guinada e transforma em algo como comédia dramática, onde situações absurdas vão acontecendo e as coisas saem completamente fora do controle.
E em quarto, quinto, sexto e sétimo, uma abertura bem legal, principalmente para quem já desceu à pé a Teodoro Sampaio e viu aquele monte de lojas de discos de vinil; a participação de músicos como Rita Lee e André Abujamra fazendo pequenas pontas, dão um charme maior ao filme; a Letícia Sabatella, com seu charme que beira o exagero dá o ar da graça e, finalmente, a pergunta que não quer calar:
“- Mãe, o que a senhora está fazendo com esse cavalo aqui dentro de casa?”
Muito bom filme, vale a pena.

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