Ao sair do cinema, depois de ver O Cheiro do Ralo (comédia, 2007), fiquei com várias sensações. A primeira delas foi de que muito dinheiro é desperdiçado com grandes produções meia-boca (como Olga). Em “O Cheiro do Ralo” cada centavo foi contado, pois apesar do orçamento inicial ser de R$ 2,5 milhões, o filme foi rodado com “apenas” R$ 315 mil, captados entre sócios privados e amigos do diretor. Até Selton Melo trabalhou de graça. E mesmo com um orçamento exíguo, esse é um filme em que tudo é bom. O roteiro, os diálogos, as locações, os cenários... tudo muito bem executado. A segunda sensação foi a inveja. Esse é mais um daqueles filmes da série “Ai que inveja por não ter escrito algo parecido!” (como aconteceu também com o gringo “Mais Estranho que a Ficção”).
O roteiro tem doses exatas de comédia, sarcasmo e, principalmente, non sense. O Lourenço de Selton Melo é uma das figuras complexas do cinema brasileiro dos últimos tempos.
E isso, me leva à terceira sensação: eu, mais do que nunca, quero fazer psicologia. Sempre quis fazer psicologia porque a) na classe só tem mulher e b) finalmente vou entender esse mundo de gente estranha. Eu fico imaginando que “O Cheiro do Ralo” deve ser um filme muito mais saboroso de se ver se você for um psicólogo e passar o tempo inteiro tentando entender o Lourenço.
Filme obrigatório para quem gosta de uma boa história, ou pra quem quer aprender a fazer um bom filme gastando pouco.
Antes de terminar, um viva para a atuação fantástica de Selton Melo e outro viva para a abertura, uma das melhores que eu já vi (afinal, quem é que não gosta de uma bela bunda?).

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