Prazer, meu nome é...

A primeira coisa com a qual você se depara num filme é o nome. Antes de saber do elenco. Antes de ver quem é o diretor. Antes de ler sinopse ou olhar o pôster, você dá de cara com o nome. E o cinema brasileiro me chama atenção pelo fato de, muitas vezes, brindar-nos com alguns nomezinhos deveras ruins.

Pausa: infelizmente, isso não é exclusivo do cinema nacional. Milhares (eu disse milhares!) de filmes estrangeiros, quando são trazidos para o país e ganham o nome em português, sofrem de traduções capengas ou completamente sem sentido. Vá entender. Despausa, vamos em frente.

Não digo que os nomes que classifico como “ruins” não façam sentido ao conjunto da história, não tenham a sua razão de ser. O problema é que comercialmente falando, alguns títulos não tem nada a ver, não criam empatia, não despertam a curiosidade. Exemplos? Só para ficar nos filmes atualmente em cartaz, há esses dois: “Ó Paí, Ó” e “Sambando nas Brasas, Morô?” Dois nomes que, muito além de não dizerem nadam, ainda me remetem à idéia de serem mal feitos, precários, aquele tipo de filme brasileiro com o qual eu não perderia tempo se os visse na locadora. (pôsteres abaixo)

Para mim, o teste definitivo, o selo de qualidade de um nome bom é o teste da caixinha de dvd. Você está passando os olhos pelas prateleiras da locadora, sem saber exatamente o que levar. O nome ruim, por melhor que seja o filme, não te chama a atenção e você passa lotado. O nome bom, ao contrário, te estimula a pegar a caixinha e virar para ler o verso e saber do que se trata. E, pegar a caixinha e ler o verso já é metade da locação. Pode ser que a fita seja uma droga, mas aí o estrago já está feito, você já levou para casa. E por causa do nome. Algo como “Quase Dois Irmãos” ou “

- Ô amor, que filminho sem vergonha você alugou hein? Odiei a história. Quem te indicou?

- Ninguém. Vi na locadora e pelo nome parecia tão bom...

Outros, ao contrário, são muito bons, porém têm nomes que depõem contra, que podem dar uma idéia errada de que trata-se de um filme malfeito. “Como quais, por exemplo?” – pergunta você. Na lata, vos digo: “O Cheiro do Ralo” e “Cinema, Aspirinas e Urubus”. Dois filmes excelentes, com títulos depreciativos. Pergunto eu aos meus botões, que nunca respondem e nem discordam: “Custava ter um nome comercial melhor, de mais impacto?”.

Antes que alguém me intyerpele e indague o que seria um “nome comercial melhor”, cito uma  pesquisa do Instituto Gorniak de Neurolinguística, que concluiu que, antes de mais nada, o nome deve ser pequeno, fácil de guardar. Pequeno, que eu digo, é ter no máximo três ou quatro palavras, incluindo aí artigos, preposições, conjunções e tudo o mais: Redentor, Dom, Olga, O Pagador de Promessas, Cidade de Deus, O Quatrilho, Central do Brasil, e tantos outros. (Lista meramente exemplificativa. Reitero que um nome bom não significa que o filme o seja.)

E, antes que atirem a primeira pedra (ou a segunda), reitero que sim, não faltam exceções à regra. Ou alguém aqui é louco de falar que “O Ano Em Que Meus Pais Saíram de Férias”, mesmo tendo dois quilômetros de letras, é ruim?

 

     

[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]
Meu Perfil
BRASIL, Sudeste, Homem, Cinema e vídeo