:. Tomada 6 - Cena 1 .: Meu Nome Não é Johnny

.: Ficha Técnica
Título Original: Meu Nome Não é Johnny
Gênero: Drama
Ano de Lançamento (Brasil): 2008
.: Sinopse
A história de João Guilherme Estrella, carismático carioca de classe média que se tornou o maior vendedor de drogas do Rio de Janeiro e depois lidou com o sistema carcerário do país.
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Não haveria nome mais propício para um filme nacional no início de 2008. Explico-me: "Meu Nome Não é Johnny" é, até agora, a maior bilheteria dos cinemas brasileiros, superando grandes produções hollywoodianas como "Eu Sou a Lenda", "BeeMovie" ou "A Bússola de Ouro", atingindo mais de um milhão de espectadores em menos 1 mês de exibição. Como entusiasta do cinema brasileiro, tenho só a comemorar o sucesso do nosso cinema e de uma, ainda lenta, valorização da cultura nacional, seja no cinema, seja na utilização do nossa poética língua portuguesa.
Meu Nome Não é Johnny, é João Estrella! Clama o protagonista em determinado momento do filme, não precisaria dizer. O fato de estar contando a sua vida, em seus detalhes mais sórdidos, em uma tela de cinema entrega sua origem. Não por falta de personagens, cenários ou histórias que gotejam pelo país há uns 500 anos, mas porque é o que vende: sertão nordestino (seja comédia, seja drama), biografia com cara de novela global e problemas sociais para americano ver. Exemplos? Central do Brasil, Auto da Compadecida, Cidade de Deus, Olga, Tropa de Elite e agora Meu Nome Não é Johnny, só para citar alguns e entre estes algumas das maiores bilheterias do cinema nacional. São bons os filmes? Sim, com certeza! Mas sinto falta de filmes como O Homem Que Copiava, Durval Discos, O Primeiro Dia, O Cheiro do Ralo, filmes sobre o cotidiano, sobre o ser humano, sem apelação à massa.
Meu Nome Não é Johnny. Ainda bem, com a fotografia, trilha sonora e enquadramentos de tirar o fôlego - ora na beleza, ora na sequência - dá vontade mesmo de bater no peito e dizer: João Estrela! Se não é novo o enredo, nem novidade a história toda para nós, é o sarcasmo, a acidez e a displicência com que a vida do personagem se desenrola na telona, sem contar ainda com um humor fantástico. Não polpam-se verdades nos estereótipos inseridos ao contexto do filme, não polpa-se esforços para ser autêntico no que se pode e o mais importante: não parece (sequer lembra) uma novela da Globo, o que, em muitos filmes, se faz presente em enquadramento, poses, caras e bocas.
Meu Nome Não é Johnny é mais um ótimo filme brasileiro, que coloca o pé direito do cinema nacional na frente em 2008.