
.: Ficha Técnica
Título Original: A Grande Família - O Filme
Gênero: Comédia
Ano de Lançamento (Brasil): 2007
.: Sinopse
Após passar mal e ir ao médico, Lineu está convicto de que morrerá em breve. Ele esconde a situação da família e desiste de ir a um tradicional baile, o que faz com que Nenê convide um ex-namorado para lhe causar ciúmes.
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Você aluga o filme, coloca no aparelho de dvd, pega a pipoca (ou o acepipe que preferir) e acomoda-se no "seu" lugar do sofá e aperta o play. Em menos de 10 minutos, você vai ter certeza que é quinta-feira a noite, logo depois da novela das 8h. O filme não tem pretensão de fugir do seriado, pelo contrário, segue a história que se desenrola nos episódios semanais e concentra alguns fatos importantes da família para o seriado da tv. Uns esperam situações inusitadas dos personagens e decepcionam-se e outros querem apenas mais do mesmo. Ponto para os outros. E ai você decide se, para você, isso é bom ou é ruim.

Sim, post duplo! Afinal falar d'um é falar d'outro e vide o verso e vice versa e coisa e tal. O tema que impulsiona a história é o mesmo para os dois filmes: em uma briga entre o casal, eles tem o mesmo diálogo simultâneamente, quando disparam um "se eu fosse você" ao mesmo tempo um sei-lá-o-que acontece e pimba, eles "trocam de corpo". O enredo é fraco, a dinâmica dos acontecimentos não são lá essas coisas e a produção tem muitos "ques" de novela global das 8h, com que diabos então um filme assim consegue uma sequência no cinema? você se pergunta ai defronte a este blog. Respondo: a idéia é muito boa, a possibilidades de casos, desventuras e peripércias que podem ser geradas quando a mulher está no corpo do marido e vai para o futebol, vai num banheiro masculino, numa roda de chopp, fazer a barba, etc e na contra mão disso o homem, vislumbra um vestiário feminino, menstrua, fica grávido, entre outras tantas situações ridículas que possamos imaginar. Além é claro da sintonia fina entre a genial atuação do Tony Ramos "feminino" e a boa atuação da Glória Pires "masculina".
Não é um filme excelente, imperdível, tão pouco vai pretende o Oscar, é para comprar pipoca grande e dar umas risadas, mas certamente teria melhores olhos a ele se fosse enlatado americano, como torceriam o nariz se "Quem Vai Ficar com Mary" fosse "tupiniquim", em mais uma bizarra troca de "corpos".


O post não é sobre o filme da Elite que você está pensando. Muito já se falou sobre ele e eu não tenho nada de interessante a tratar. É um filme muito bom, perde para Cidade de Deus no aspecto técnico e ganha no apelo popular, já que inúmeras frases do Capitão Nascimento caíram no vocabulário popular. De resto os dois empatam. Pronto, isso é tudo o que tenho a dizer de Tropa de Elite (Ação, 2007).
Quero é falar sobre o cara que transformou o filme: Wagner Moura. Confesso que eu não achava a melhor indicação para viver um policial violento como do BOPE. Mas não só viveu, como deu ao personagem uma dimensão inimaginável até para os produtores, que resolveram basear o filme na atuação dele, ao invés de focar am Matias, como era a idéia inicial. Wagner Moura interpretou o Capitão Nascimento de uma forma tão maravilhosa que não tinha como não torná-lo principal.
Você assiste Tropa de Elite numa terça-feira e sai babando com a atuação do cara. E eis que na quinta-feira, você acha uma sessão escondida de Saneamento Básico – O Filme (Comédia, 2007) no Cine Unibanco. Preço do ingresso mais barato, vamos ver. Comédia de Jorge Furtado, o mesmo diretor de “O Homem que Copiava”. O roteiro é legal, várias piadas até interessantes, mas que funcionam ainda melhor justamente por causa do elenco de pesos pesados, que carregam o filme nas costas: Fernanda Torres, Camila Pitanga, Bruno Garcia, Lázaro Ramos e... Wagner Moura! Numa comédia! Um papel diametralmente oposto. Um personagem que, tal qual o Capitão Nascimento, se expressa muito pelos gestos, pelas expressões, pelo corpo, pelo olhar... Meu Deus do céu, não há personagem que esse cara não consiga fazer e ficar ducaralho? Esse Wagner Moura está na Elite. Estou pensando se ficaria muito feio ter um pôster dele no meu quarto...



A primeira coisa com a qual você se depara num filme é o nome. Antes de saber do elenco. Antes de ver quem é o diretor. Antes de ler sinopse ou olhar o pôster, você dá de cara com o nome. E o cinema brasileiro me chama atenção pelo fato de, muitas vezes, brindar-nos com alguns nomezinhos deveras ruins.
Pausa: infelizmente, isso não é exclusivo do cinema nacional. Milhares (eu disse milhares!) de filmes estrangeiros, quando são trazidos para o país e ganham o nome em português, sofrem de traduções capengas ou completamente sem sentido. Vá entender. Despausa, vamos em frente.
Não digo que os nomes que classifico como “ruins” não façam sentido ao conjunto da história, não tenham a sua razão de ser. O problema é que comercialmente falando, alguns títulos não tem nada a ver, não criam empatia, não despertam a curiosidade. Exemplos? Só para ficar nos filmes atualmente em cartaz, há esses dois: “Ó Paí, Ó” e “Sambando nas Brasas, Morô?” Dois nomes que, muito além de não dizerem nadam, ainda me remetem à idéia de serem mal feitos, precários, aquele tipo de filme brasileiro com o qual eu não perderia tempo se os visse na locadora. (pôsteres abaixo)
Para mim, o teste definitivo, o selo de qualidade de um nome bom é o teste da caixinha de dvd. Você está passando os olhos pelas prateleiras da locadora, sem saber exatamente o que levar. O nome ruim, por melhor que seja o filme, não te chama a atenção e você passa lotado. O nome bom, ao contrário, te estimula a pegar a caixinha e virar para ler o verso e saber do que se trata. E, pegar a caixinha e ler o verso já é metade da locação. Pode ser que a fita seja uma droga, mas aí o estrago já está feito, você já levou para casa. E por causa do nome. Algo como “Quase Dois Irmãos” ou “
- Ô amor, que filminho sem vergonha você alugou hein? Odiei a história. Quem te indicou?
- Ninguém. Vi na locadora e pelo nome parecia tão bom...
Outros, ao contrário, são muito bons, porém têm nomes que depõem contra, que podem dar uma idéia errada de que trata-se de um filme malfeito. “Como quais, por exemplo?” – pergunta você. Na lata, vos digo: “O Cheiro do Ralo” e “Cinema, Aspirinas e Urubus”. Dois filmes excelentes, com títulos depreciativos. Pergunto eu aos meus botões, que nunca respondem e nem discordam: “Custava ter um nome comercial melhor, de mais impacto?”.
Antes que alguém me intyerpele e indague o que seria um “nome comercial melhor”, cito uma pesquisa do Instituto Gorniak de Neurolinguística, que concluiu que, antes de mais nada, o nome deve ser pequeno, fácil de guardar. Pequeno, que eu digo, é ter no máximo três ou quatro palavras, incluindo aí artigos, preposições, conjunções e tudo o mais: Redentor, Dom, Olga, O Pagador de Promessas, Cidade de Deus, O Quatrilho, Central do Brasil, e tantos outros. (Lista meramente exemplificativa. Reitero que um nome bom não significa que o filme o seja.)
E, antes que atirem a primeira pedra (ou a segunda), reitero que sim, não faltam exceções à regra. Ou alguém aqui é louco de falar que “O Ano Em Que Meus Pais Saíram de Férias”, mesmo tendo dois quilômetros de letras, é ruim?

Ao sair do cinema, depois de ver O Cheiro do Ralo (comédia, 2007), fiquei com várias sensações. A primeira delas foi de que muito dinheiro é desperdiçado com grandes produções meia-boca (como Olga). Em “O Cheiro do Ralo” cada centavo foi contado, pois apesar do orçamento inicial ser de R$ 2,5 milhões, o filme foi rodado com “apenas” R$ 315 mil, captados entre sócios privados e amigos do diretor. Até Selton Melo trabalhou de graça. E mesmo com um orçamento exíguo, esse é um filme em que tudo é bom. O roteiro, os diálogos, as locações, os cenários... tudo muito bem executado. A segunda sensação foi a inveja. Esse é mais um daqueles filmes da série “Ai que inveja por não ter escrito algo parecido!” (como aconteceu também com o gringo “Mais Estranho que a Ficção”).
O roteiro tem doses exatas de comédia, sarcasmo e, principalmente, non sense. O Lourenço de Selton Melo é uma das figuras complexas do cinema brasileiro dos últimos tempos.
E isso, me leva à terceira sensação: eu, mais do que nunca, quero fazer psicologia. Sempre quis fazer psicologia porque a) na classe só tem mulher e b) finalmente vou entender esse mundo de gente estranha. Eu fico imaginando que “O Cheiro do Ralo” deve ser um filme muito mais saboroso de se ver se você for um psicólogo e passar o tempo inteiro tentando entender o Lourenço.
Filme obrigatório para quem gosta de uma boa história, ou pra quem quer aprender a fazer um bom filme gastando pouco.
Antes de terminar, um viva para a atuação fantástica de Selton Melo e outro viva para a abertura, uma das melhores que eu já vi (afinal, quem é que não gosta de uma bela bunda?).

Começa que o fato de ser ambientado em uma loja de discos só ajuda: qualquer filme que tenha uma desculpa para tocar música legal o tempo todo ganha muitos pontos (como Alta Fidelidade, com o John Cussak, por exemplo).
Segundo, os dois personagens principais, a velha senhora meio longe da realidade e o filho hippie quase quarentão ainda solteiro são ótimos. Principalmente do meio para o fim do filme, quando a velha vai ficando cada vez mais fora da realidade e o filho, cada vez mais desesperado com as situações que se sucedem. A dupla está impagável.
Terceiro, uma história que parece previsível, um drama de garotinha-que-aparece-do-nada-e-muda-a-vida-da-velha-senhora-meio-longe-da-realidade-e-do-seu-filho-hippie-quase-quarentão-solteiro, mas que de repente dá uma guinada e transforma em algo como comédia dramática, onde situações absurdas vão acontecendo e as coisas saem completamente fora do controle.
E em quarto, quinto, sexto e sétimo, uma abertura bem legal, principalmente para quem já desceu à pé a Teodoro Sampaio e viu aquele monte de lojas de discos de vinil; a participação de músicos como Rita Lee e André Abujamra fazendo pequenas pontas, dão um charme maior ao filme; a Letícia Sabatella, com seu charme que beira o exagero dá o ar da graça e, finalmente, a pergunta que não quer calar:
“- Mãe, o que a senhora está fazendo com esse cavalo aqui dentro de casa?”
Muito bom filme, vale a pena.

No enorme tempo de existência deste blog, acabamos de presenciar um fato inédito. Ficamos mais de um mês sem postar nada. Nadinha, nyet, zero textos. Do Eduardo, o co-realizador e detentor de 50% dos direitos federativos do blog, eu não posso dizer nada. Ele desde sempre não escreve lhufas. Fiquei triste é comigo mesmo, que deixei de lado as minhas obrigações para com este requisitado, visitado e comentado blog.
Mas aqui estou eu escrevendo um post explicativo-desculpativo para as únicas duas pessoas que lêem isso (se é que existem duas).
Ocorre que normalmente no fim do ano a correria aumenta, fechamento de trabalhos, presentes para toda a família, e o tempo para filmes fica escasso. "Mas e as féias?" - perguntará você. Sinceramente, férias de janeiro é época de praia. Chovendo ou não, todos ao quiosque, só tomando cuidado para não cair água na cerveja.. Com isso, poucos filmes são assistidos. E no fim de 2006 houve uma safra espetacularmente grande de filmes espetacularmente bons. Infelizmente, todos estrangeiros. Nomeio-os: O Grande Truque, Os Infiltrados, O Ilusionista, O Labirinto do Fauno, Cassino Royale, Por Água Abaixo e Happy Feet (considero Cheiro do Ralo como ainda não em circuito comercial, então não comento). Tanto filme bom assim, é covardia, maldade até, deixar de vê-los para ir assistir Zuzu Angel, Céu de Suely (infelizmente, porque deve ser muito bom), ou coisas piores, tais como Didis e Xuxas da vida.
Desta feita, no momento só disponho de filmes estrangeiros para comentar, nenhuma película brazuca. Poderia abrir uma exceção, mas não é o objetivo deste blog. Prometo me redimir em breve.
Existem trailers que deixam você de boca aberta, pensando “Caracas! Eu preciso ver esse filme!” (sublinhado assim mesmo). Um exemplo internacional é “Magnólia”. Um exemplo brasileiro é Redentor, de Cláudio Torres (Drama, 2004). Quando vi o trailer no cinema, eu babei. E tão logo entrou em cartaz, fui ver. Mas antes de ver o filme, peguei uma resenha não lembro onde, que o classificava como “comédia dramática”. E aí eu me perguntei que raios era uma comédia dramática. O filme é um drama, com pitadas de humor. Em homenagem a esta definição de comédia dramática, faço duas análises, que ninguém me pediu, mas que eu faço assim mesmo: uma estilo comédia e outra estilo drama.
Redentor é, além de tudo, uma comédia.
Antes de ver, achei que fosse aquele filme que era bom, mas que eu não iria gostar do final. Não me perguntem porque, não sei explicar, só sei que foi assim. “No mínimo o filme tem a Camila Pitanga e nenhum filme com a Camila Pitanga é um desperdício de tempo”, pensei eu e fui assistir (no cinema, sexta-feira chuvosa, sessão da meia noite).
Ainda bem que me enganei. O filme é muito bom, tem uns toques surreais e uns efeitos especiais no mínimo engraçados, como a explosão atômica em Brasília, o Cristo aparecendo pro Pedro Cardoso (num efeito da estátua do Cristo Redentor, recortada e fundida com o cenário), o Pedro Cardoso tomando um raio na cabeça e outras coisinhas mais. O fio condutor é a grana que corrompe a todos: ricos, pobres, brancos, negros, homens e mulheres. Mesmo até a mais insuspeita pessoa, de moral ilibada, fica tentada com a grana. Mas quem foi que prestou atenção nesses detalhes tendo a Camila Pitanga aparecido primeiro com um biquíni, depois como prostituta?
Realmente muito bom o filme e ótimas atuações, principalmente do Pedro Cardoso, que eu não gostava muito, mas me surpreendeu. E tem a Camila Pitanga, já falei dela?
Redentor é um ótimo drama.
Entretanto, é um filme que me deixa profundamente decepcionado com o povo brasileiro, com as pessoas no geral. Nele, todo mundo quer levar vantagem. É a materialização da Lei de Gérson. Se eu posso levar vantagem em tudo, que assim seja. Não me importo que outros tantos se fodam. É o empresário que rouba os trabalhadores, os trabalhadores que invadem apartamentos de outrem, o banqueiro que faz negócios escusos, o ministro que ajuda ou atrapalha conforme lhe convém, o importante é tirar o meu. E todos, absolutamente todos, se dobram ante a ganância, se corrompem frente ao dinheiro. O pior é que isso não é ficção e deve acontecer aos montes, diariamente, lá na capital federal. Imagem que só é reforçada pela enxurrada de escândalos políticos atuais. A impressão é que o “partido do povo” tomou o poder e pensou “agora é a minha vez”. E todo mundo está lá tentando tirar seu pedaço, “se dar bem”. Isso, sim, me deixa extremamente decepcionado e pessimista quanto ao “povo alegre e batalhador”que somos.
Mas o filme é muito bom e vale a visita. Curioso mesmo é o roteiro ter sido assinado pela Fernanda Torres.

Na 30ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, o único filme brasileiro que consegui ver foi O Ano Em Que Meus Pais Saíram de Férias, de Cao Hamburger (Drama, 2006).
A repercussão do filme foi algo de assustadora. Todo mundo comentava, indicava, dizia que era um filme sensacional, “você precisa ir ver”, coisa e tal. Mesmo quem não era muito interessado por cinema havia se rendido aos encantos do longa. É um ótimo filme, sem dúvida. Inegavelmente merece todos os elogios que tem recebido: uma história sensível, muito bem produzida e filmada, com grandes atores. Menção honrosa a Michel Joelsas, que interpreta o personagem principal, Mauro, e a Daniela Piepszyk, que faz a Hanna, minha personagem preferida na fita.
Terminada a rasgação de seda, sejamos honestos. O filme é muito bom, mas convenhamos: o diretor (e produtor e roteirista) Cao Hamburger, jogou sujo. Ele usou de artifícios que simplesmente não valem para poder chamar a atenção de todos para seu filme. Certos assuntos têm o poder de seduzir as massas, pois se ancoram no inconsciente coletivo. O primeiro deles é a infância, recordações dos tempos idos. Quando se fala em infância, todo mundo lembra com saudade do que viveu, das amizades, dos amores platônicos, das aventuras. Mesmo aquele que, como eu, não viveu a época retratada no filme, teve também uma infância. E isso, por si só, já o faz identificar-se com a narrativa e suspirar “ai, ai, como eram bons aqueles tempos...”
E a mente maligna de Cao Hamburger, buscando arrastar mais e mais gente para o cinema, se valeu de outro assunto irresistivelmente arrebatador: a conquista do tricampeonato pela mágica seleção de futebol de 1970. Não há outra época em que o futebol foi mais bonito e a torcida brasileira, mais encantada. Eu, que nasci em 78, fico chateado de não ter presenciado aqueles jogos.
A ditadura e a repressão foram só mais uma nuance, uma outra lembrança incrivelmente forte para quem viveu, mas não tão significativa para quem não esteve lá, como são a infância e o futebol. Resumindo tudo, enfim: explorar o tema da infância, durante a Copa de 70 é um golpe baixíssimo para seduzir as platéias. Não, isso não é uma reclamação. Eu me pergunto: como não pensei nisso antes? Palmas para Cao Hamburger, que não só pensou, como executou a idéia de forma primorosa, com grande apuro técnico. Um filme que vale a pena assistir.

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